Claro, todo sonho é perfeito. ela era pequena, cabia toda dentro de um abraço. sem muitos cabelos, sem muito penteado, apenas um sorriso tímido, ou diria, enigmático, como todo olho que reflete tanto o que inebria a mente como o que acelera o coração. sim, essa não é uma combinação saudável, mas quê fazer, é só assim que me encontro.
Déia Urca, esse era seu nome, um tanto grande, deve ser pelo impacto que causa. gestos singelos capazes de seduzir montanhas que de pronto se abrem em planícies para seu espalhar.
como é que a gente pode acordar tão apaixonado por um sonho?
Déia, Déia, e você nem sequer me mostrou todas as suas tatuagens! acordei me perguntando se era um piano no seu braço esquerdo, se era música, se era intoxicação de chico buarque, mas, não, você era tão real, droga! eu não queria mais acordar, só para ter mais um minutinho de ilusão, de tê-la no meu colo a me olhar. só isso já dá tanta saudade...
tanto, tanto, pofff!
pobre bolha. dentro dela tudo é luz, vida, paixão e carinho. basta que o celular toque com alguma chamada inútil que ela explode como uma bolha de sabão em camera ultra-lenta, quando percebemos a superfície multicolorida se recolher toda em gotículas de nada.
bem, é dia.
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