quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

voa no céu do quarto um balão fantasma, voa parado, e como uma pipa de papel de seda que sobreviveu à chuva, tem rugas, lágrimas desbotadas no pálido espectro. enxerga?
a tarde grita o vizinho que bate na mulher.
ô, dó!
a tarde apita. os carros ao longe roncam, buzinam. a vizinha grita com a empregada gralha. o avião.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ainda não choveu e o fim de tarde segue com sabor de monólogo. um travesseiro amassado, amarfanhado, no canto da cama finge que me escuta, quase me apoia sem devolver nada, nem a lei de Newton.
Não dá pra saber se é o céu cinza pesado, de chuva próxima, daquelas que podem cair, cair, e fazer disso o show da tarde, ou então os poucos pingos que já caem, sacodem as folhas do maracujá como bonequinhos de mola. é o olhar que lança longe o pensamento daquela alguém que a memória queria encontrar, que tanto tem a vida da chuva como a graça de um sorriso verde cada vez que a água abençoa ao cair do céu. assim, respiro, suspiro, piro de saudades de algo que pode não ser nada além da imaginação, do desejo. nessa hora pode haver algo melhor do que ir pra rua tomar chuva?

pode, você sabe que pode!
mas, desde, quando, como, então, vem música que não foi e não é, embora possa ser, bossa, nossa, num abraço de derreter.