terça-feira, 2 de julho de 2013

Inverno Astral

num momento como o de agora, em que não quero subestimar os efeitos de um inferno astral, é que gostaria de saber mais de astrologia. porque, se acaba no dia do aniversário, ufa, passou, porém... se ainda sobra um efeito residual... Ave Maria! realmente ontem deu a conta. havia meses que não tinha uma semana tão cinza. tudo é para aprender, não? então! tantão!

sábado, 22 de junho de 2013

a metade de um abraço é verdadeiramente um cadê, quando a cama cresce e os lençóis mais ainda. um se vê ali tão nu que nenhuma roupa esconde, e como fração ele sonha que o inteiro é uma árvore, planta que ainda é semente, num terreno que sequer foi arado.
assim, a metade é carinho, aceno, e o conforto de apenas um pequeno travesseiro para poder deitar a cabeça e sonhar, nas plumas, mãos.

felicidade é um estado em que tudo é.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

hoje fui salvo por uma ninfa.
depois, já no banho, fechava os olhos e via dois pássaros voando no céu, no sol.

imagina um morango do tamanho de uma melancia cercado de flores de um violeta intenso. ah, é um trono. sim, é um sonho.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Luz e companhia.

a noite passa branca como a folha de papel onde não escrevi a estória de amor que queria ter vivido.

domingo, 31 de março de 2013

gongos 2

sono está nos gongos, basta tirar os gês e inverter o que sobrou.

gongos

há um mês escrevi que a solidão gongava dentro do peito. hoje só de pensar nisso me dá sono. é tanta loucura, além da minha própria mesmo, que a solidão é muitas vezes necessária.
quem sabe um dia, encontro a chave da portaria...

manjericão integral

pensei em descer e dar uma abocanhada numa bisnaguinha com requeijão e manjericão. não que estivesse com fome, fome, apenas mastigar o tédio de domingo à tarde com algo saboroso, e manjericão fresco tem esse poder.
me lembrei que ontem o manjericão na geladeira já estava pretejando, hoje então, já era! o que não foi foi a água na boca, danada, como se tivesse dado aquela mordida "sabor integral" de quando meu pai enfiava um salgado inteiro na boca em suas muitas provocações. mas não adianta, meu pai nunca foi tão bom quanto manjericão, nem o gosto some!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Quando a solidão gonga dentro do peito, os sonhos vem para animar.

Claro, todo sonho é perfeito. ela era pequena, cabia toda dentro de um abraço. sem muitos cabelos, sem muito penteado, apenas um sorriso tímido, ou diria, enigmático, como todo olho que reflete tanto o que inebria a mente como o que acelera o coração. sim, essa não é uma combinação saudável, mas quê fazer, é só assim que me encontro.

Déia Urca, esse era seu nome, um tanto grande, deve ser pelo impacto que causa. gestos singelos capazes de seduzir montanhas que de pronto se abrem em planícies para seu espalhar.

como é que  a gente pode acordar tão apaixonado por um sonho?

Déia, Déia, e você nem sequer me mostrou todas as suas tatuagens! acordei me perguntando se era um piano no seu braço esquerdo, se era música, se era intoxicação de chico buarque, mas, não, você era tão real, droga! eu não queria mais acordar, só para ter mais um minutinho de ilusão, de tê-la no meu colo a me olhar. só isso já dá tanta saudade...

tanto, tanto, pofff!

pobre bolha. dentro dela tudo é luz, vida, paixão e carinho. basta que o celular toque com alguma chamada inútil que ela explode como uma bolha de sabão em camera ultra-lenta, quando percebemos a superfície multicolorida se recolher toda em gotículas de nada.
bem, é dia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

voa no céu do quarto um balão fantasma, voa parado, e como uma pipa de papel de seda que sobreviveu à chuva, tem rugas, lágrimas desbotadas no pálido espectro. enxerga?
a tarde grita o vizinho que bate na mulher.
ô, dó!
a tarde apita. os carros ao longe roncam, buzinam. a vizinha grita com a empregada gralha. o avião.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ainda não choveu e o fim de tarde segue com sabor de monólogo. um travesseiro amassado, amarfanhado, no canto da cama finge que me escuta, quase me apoia sem devolver nada, nem a lei de Newton.
Não dá pra saber se é o céu cinza pesado, de chuva próxima, daquelas que podem cair, cair, e fazer disso o show da tarde, ou então os poucos pingos que já caem, sacodem as folhas do maracujá como bonequinhos de mola. é o olhar que lança longe o pensamento daquela alguém que a memória queria encontrar, que tanto tem a vida da chuva como a graça de um sorriso verde cada vez que a água abençoa ao cair do céu. assim, respiro, suspiro, piro de saudades de algo que pode não ser nada além da imaginação, do desejo. nessa hora pode haver algo melhor do que ir pra rua tomar chuva?

pode, você sabe que pode!
mas, desde, quando, como, então, vem música que não foi e não é, embora possa ser, bossa, nossa, num abraço de derreter.